domingo, 7 de dezembro de 2008

Rituais de matrimônio entre os Bur'häkkn

A cerimônia tradicional parte do compartilhamento de um sentimento em comum, que toca a todos os participantes: a raiva incontrolável que as famílias sentem uma da outra por estarem retirando-lhe um jovem do ninho. Costumeiramente, a família da noiva entra no templo primeiro, batendo pratos e panelas, gritando que não haverá casamento. Os irmãos e primos percorrem o lugar em busca do sacerdote e o expulsam a pontapés, para garantir que ele não roube sua protegida em nome de Deus.

Do lado de fora, a família do noivo espera com os ingredientes do bolo. Ao verem o sacerdote sair escorraçado do templo, vaiam e arremessam ovos e varinha contra o pobre, que não tem escolha que não continuar correndo até onde a vista alcança. O pai do noivo conduz a comitiva ao altar. Lá, as duas mães começam espalhafatoso embate oral, responsabilizando-se pela tragédia que se abate. A exemplo delas, logo todos os presentes se engalfinham com violência. Por causa desse momento complexo da liturgia, é de praxe que a família mais numerosa, por gentileza, convide apenas o número proporcional de parentes para manter a luta equilibrada. De qualquer forma, os parentes excessivos sempre aparecem, o que faz de alguns casamentos verdadeiros massacres.

Aproveitando a distração da luta, os noivos correm para a portinhola de saída do recanto dos religiosos, onde, a esse momento, um sacerdote assistente deve estar escondido. Ele rapidamente abençoa a união para que o casal possa fugir em paz. As famílias continuam o embate por horas, até darem por falta dos jovens noivos. Nesse momento fazem as pazes e voltam sua raiva para a destruição dos aposentos do templo e das imagens de adoração. O incêndio do altar marca o encerramento da cerimônia e a consolidação de uma união estável e duradoura.

Os Bur'häkkn apresentam os menores índices de desquites em toda a história daquele país, em números relativos e absolutos.

3 comentários:

Amanda disse...

Queria mesmo saber se os casamentos proibidos, feitos as escondidas, duram tanto quanto os amores impossíveis.

paula davies disse...

hahahha gente, e ser sacerdote deve ser a pior profissão do mundo, tipo faxineiro de banheiro de rodoviária, ou ascencorista. "fulano é sacerdite" "ah não acredito, coitado, minha filha, ele não é homem pra vc não"

Paulo Costa disse...

hahaha quero meu casamento assim


(brinks)